Seja Bem-Vindo ao Theologizando

Um blog de opiniões fortes, mas verdadeiras, sobre quase tudo, de uns caras loucos por Jesus...

17 de novembro de 2009

CONFIABILIDADE


“As palavras do Senhor são puras, são como prata purificada num forno, sete vezes refinada” [Salmo 12.6].

Essa frase é parte de uma pequena canção de Davi, o famoso rei de Israel. Essa canção descreve a infidelidade do ser humano, que se expressa principalmente por meio da língua enganosa e orgulhosa. Jesus confirma o problema da língua dizendo que “as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro” [Mt 15.18]. A canção de Davi acrescenta que Deus julgará o mau uso da língua por parte dos ímpios e protegerá os justos que são vítimas desses infiéis faladores. O que mais chama a atenção, porém, nessa bela música, é que Davi destaca que as palavras do Senhor são absolutamente puras, em contraste com o linguajar fútil e pernicioso dos homens.
Tudo o que Deus fala é totalmente puro. Suas palavras são isentas de corrupção tanto quanto a prata submetida ao fogo altíssimo, durante horas seguidas. Não há impureza ou sujeira. Nas palavras de Deus não há engano. Elas são confiáveis. Elas são refúgio para os que sofrem. Elas dirigem os perdidos. Elas alertam contra o pecado. As palavras do Senhor, como se diz na teologia conservadora, são inerrantes. Não há erro algum. São também infalíveis, isto é, não falham, não decepcionam os que a seguem.
Todos nós temos alguma decepção com o mundo, com as pessoas e com a vida. Alguns mais, outros menos, mas todos sentem a frustração de confiar no homem: um [a] cônjuge infiel, uma empresa que não cumpre o que foi oferecido, um colega ou chefe de trabalho que trai, um vizinho que incomoda, um governante que é flagrado em corrupção. Ouvimos mentiras. Somos injustiçados. Nos decepcionamos.
Mas Deus é completamente confiável, e confiáveis são Suas palavras! Por isso, deixo alguns conselhos aqui:
1. Todos os dias, leia a Bíblia e medite sobre o que leu.
2. Aproprie-se de todas as promessas de Deus nas Escrituras. Elas são infalíveis!
3. Leve a sério as advertências que a Bíblia faz contra o pecado.
4. Siga rigorosamente as orientações e ordenanças da Bíblia. Elas farão bem a você.
5. Quando perceber que se desviou, ainda que um pouquinho só, dos ensinamentos bíblicos, confesse o pecado a Deus e retorne imediatamente ao caminho certo.
6. Faça com que sua família tome conhecimento dos ensinos bíblicos. Separe alguns minutos à refeição, ou em outro momento oportuno, e leia a Bíblia com eles e para eles. Explique o que leu. Ore com eles.
7. E, finalmente, o mais importante: procure Cristo nas Escrituras. Leia a Palavra para ver Cristo e sua obra de redenção na cruz. Jesus é a própria Palavra de Deus encarnada entre os homens. Tê-Lo é ter o tesouro maior!

Guarde isso no coração: somente as palavras de Deus são totalmente confiáveis. Agarre-as! “As ordenanças do Senhor são verdadeiras... são mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo” [Salmo 19.9-10].

Daniel Nogueira

5 de novembro de 2009

É TOLICE ME CASAR COM ALGUÉM QUE EU SEI QUE MORRERÁ LOGO?

Pergunta ao Pr. John Piper:

Eu quero me casar, mas a mulher que eu amo tem uma doença crônica. Isto está se tornando cada vez pior. Alguns membros de minha família me dizem que eu não deveria me comprometer com ela, mas eu creio que Deus tem me chamado a servi-la desta forma. É tolice casar com alguém que morrerá logo?

Resposta do Pr. John Piper:

Isso é tolice? Não, isto não é tolice. Não, se todas as outras coisas estão em ordem, certo? Qualquer casamento poderia ser tolice, mas esta não é a razão principal.

Casar com um descrente seria tolice. Casar quando você é totalmente incompatível teologicamente, seria tolice. Casar quando você é imaturo ou não tem recursos seria tolice. Há muitas razões pelas quais um casamento seria tolo. Mas, amar alguém que está morrendo não é uma delas, eu creio; especialmente quando você está livre para casar quando a esposa morre.

Agora, eu sei que a pessoa que pergunta isso, não está pensando desta forma, como: “Ó, eu me casarei novamente dentro de três anos depois que ela morrer”. Esta não é a forma que eles pensam! Eles pensam: “Eu amo esta pessoa, eu quero viver com esta pessoa e quero cuidar dela!”. Eu creio que isto é lindo.

Por isso, eu fiz o casamento de um homem que estava morrendo de leucemia e o casamento durou menos que um ano. Todo mundo sabia que isso duraria menos que um ano. Isto é impressionante. Ela era linda e ele, belo. Nove meses depois ele estava morto e este era o esperado.

Eu conheci outra situação em que uma mulher casou com um homem com AIDS que havia vencido suas inclinações homossexuais. Esse casamento durou, talvez, cerca de seis anos e, então, ele morreu. E isso foi lindo.

Eu sei que deve ser muito doloroso para os pais olharem para isso e pensar: “Você não percebe quanto sofrimento isso trará para a sua vida?” Mas o que mais é novo e certo acerca da vida e do casamento?

Assim, eu diria que esta não é a principal questão aqui. A principal questão é: Você é capaz – teologicamente, pessoalmente, no uso de recursos – de amar harmoniosamente, docemente e profundamente, juntamente com Jesus, neste casamento?

Tradução: Tiago Abdalla

Texto original, disponível em inglês no link:

http://www.desiringgod.org/ResourceLibrary/AskPastorJohn/ByTopic/45/4208_Is_it_foolish_to_marry_someone_I_know_will_die_soon/

28 de outubro de 2009

ESCATOLOGIA PRÁTICA


“Pois vocês mesmos sabem que o dia do Senhor virá como ladrão à noite... Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios” [1 Tessalonicenses 5.2, 6].

Esperança gera ação. Essa é a essência da Escatologia Bíblica: revelar acontecimentos futuros para mobilizar os crentes na vida presente. O Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo uma vez para reconciliar os homens com Deus, voltará uma segunda vez, para levar para a glória eterna aqueles que tiverem crido nele. Os que não tiverem crido em sua obra salvadora, nem tiverem se arrependido dos seus pecados, serão eternamente condenados. Essas verdades foram pré-anunciadas para "MOBILIZAR" os cristãos a uma vida de compromisso com Deus.

Mas será que os crentes de hoje tem sido mobilizados por uma escatologia bíblica? Evidente que não! O número de evangélicos no Brasil cresce a cada ano. Estima-se que em menos de uma década os evangélicos serão metade da população! Ele lotam os templos. Vão duas, três e até sete vezes por semana aos cultos. Dão dízimos e ofertas, fazem orações, campanhas, jejuns, etc... Mas tudo isso é resultado de marketing religioso, e não de escatologia bíblica. As massas são atraídas para obter "resultados imediatos". Querem bençãos aqui e agora, como se suas vidas se limitassem a esses 60, 70 ou 80 anos na terra. Não se importam com Juízo Final. Não se importam com Céu. Talvez nem mesmo sabem que estão indo para o inferno! Eu mesmo já evangelizei dezenas de evangélicos [da Universal, Deus é Amor, Internacional da Graça e até Batistas!] e nenhum deles tinha certeza de que iria para o Céu! Confiam em Jesus apenas para receber saúde, emprego, "livramento", paz, etc.

Porém a Bíblia é clara em anunciar os eventos chamados “escatológicos” que estão associados a essa Segunda Vinda do Senhor Jesus - o arrebatamento da igreja, a grande tribulação, a ressurreição de justos e ímpios, o reino milenar, o juízo final e a eternidade. Os que que esperam esses acontecimentos procuram viver em santidade, procuram agradar a Deus em seu falar, agir e pensar, investem tempo e esforços na comunhão com Deus pela prática da oração e da leitura bíblica, se dedicam à comunhão com os irmãos em Cristo, contribuem com a obra missionária, falam de Cristo aos que o cercam e enfrenta as tribulações com alegria e coragem.

O "perfil" de um evangélico no Brasil de hoje é bem diferente: ele tem uma vida imoral, não conhece nada da Bíblia, não ora, mal conhece as pessoas da igreja, não contribui para a obra missionária [nem sabe o que é isso!], não fala do evangelho para ninguém e não aceita o sofrimento. Porque ele é assim? Porque não tem escatologia. Não vive na expectativa da volta do Senhor Jesus!

A Escatologia [doutrina das últimas coisas] tem produzido em você uma vida diferente, comprometida com Deus?

Daniel Nogueira

26 de outubro de 2009

QUAL O SIGNIFICADO DO BATISMO?

Romanos 6.1-7

INTRODUÇÃO

Geralmente, a palavra batismo/batizado é ligada com o rito de iniciação de alguém em um determinado grupo, religioso ou não. Lembro quando nossa família estava compartilhando de Jesus a uma outra família, em que a mãe e o filho lutavam capoeira, não era raro ouvirmos eles comentarem que tal dia haveria o batizado de algumas pessoas na capoeira, isto é, um rito em que alguém era introduzido oficialmente naquela arte marcial, lutando com o seu próprio mestre. Mas, o mais comum em nossa cultura é ver o batismo, geralmente, atrelado à introdução de uma criança à religião de seus pais, como ocorre no catolicismo romano.

O batismo já até adquiriu um sentido pejorativo. Por exemplo, quando falamos que a gasolina ou combustível foi batizado, quer dizer que ele foi adulterado, sendo misturado com outros elementos.

Ao olharmos para o sentido que a Bíblia dá ao batismo, percebemos um significado profundo, que vai além de qualquer daqueles comumente entendidos por nós. Por isso, quando buscamos uma compreensão adequada da idéia contida neste símbolo, precisamos nos voltar para as Escrituras e permitir que elas falem conosco sem impor pressuposições pessoais ou conceitos teológicos estranhos às elas.

ROMANOS 6.1-7

Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? Demaneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.

Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição. Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado; pois quem morreu, foi justificado do pecado.

O BATISMO É A REPRESENTAÇÃO DE NOSSA UNIÃO COM CRISTO EM SUA MORTE PARA O PECADO E DA JUSTIÇA CONCEDIDA A NÓS DA PARTE DE DEUS

O texto de Romanos 6 é um dos trechos mais profundos e belos acerca do significado do batismo para aqueles que depositaram sua fé em Cristo. No capítulo anterior, o apóstolo Paulo discorreu sobre os efeitos que o pecado do primeiro homem, Adão, trouxe sobre toda a humanidade (a morte, o julgamento e condenação) e, ao mesmo tempo, os benefícios que Jesus Cristo, o homem perfeito alcançou para aqueles que nEle confiam (justificação e vida – Rm 5.12-19). A conclusão dele foi que, ainda que o pecado de Adão promoveu a desfiguração da humanidade e sua condenação diante de Deus, a graça concedida por Deus por meio de Jesus Cristo, foi muito maior e superou o pecado, proporcionando a vida eterna (5.20-21).

No presente capítulo, Paulo lida com um dilema que surgiria decorrente de sua afirmação em Romanos 5. Se o pecado proporcionou a demonstração da imensa graça de Deus, será que nós não deveríamos pecar ainda mais, para que Deus mostrasse quão ainda maior é a sua graça? A resposta taxativa do apóstolo é “De modo nenhum!” ou “Nem pensem nisso!” (6.1). Pois, nossa união com Cristo implica em morte para o pecado, isto é, no fim de seu domínio sobre nós.

Então, seria incoerente vivermos uma vida que não é mais realidade para nós diante daquilo que Cristo alcançou na cruz (6.2). Ele nos libertou do pecado, portanto, continuar no pecado é rejeitar sua obra salvadora na cruz. É como se uma borboleta que, após passar por uma metamorfose radical de lagarta para borboleta, continuasse rastejando pelo chão e pelos troncos de árvores, no lugar de voar como uma borboleta e alegrar o ambiente, conforme sua nova identidade.

A figura que Paulo usará da união do cristão com Cristo será o batismo pelo qual os cristãos de Roma passaram. Aqui, cabe uma observação. Ao longo do livro de Romanos, o argumento do apóstolo é que nós somos salvos de nossos pecados, não por algo que fizemos, mas pelo sacrifício de Jesus por nós na cruz. É nossa confiança nesse ato de Deus em Jesus que nos dá salvação:

“... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça ... para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus ... Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.”. (Rm 3.23-26, 28).

“Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça ... mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação. Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 4.22, 24 – 5.1).

O batismo, assim, proclama a justificação diante de Deus daqueles que, pela fé, se uniram a Cristo em sua morte e experimentaram tanto a libertação da culpa quanto do poder do pecado (6.3). A união é tão forte que se descreve com uma cena comum do século I. Eram bem conhecidas naquela época, as sepulturas duplas, em que marido e esposa, bem como pais e filhos eram depositados numa sepultura conjunta. Da mesma forma, o batismo representa o sepultamento do crente com Cristo, a evidência de que o pecado já não tem mais direito de domínio sobre os crentes (6.4; cf. Cl 2.12). Não se pode reivindicar nada de um morto, nenhuma exigência mais pode ser feita.

Nossa identificação com Cristo em sua morte, inclui uma identificação com sua crucificação. O “velho homem”, no verso 6, deve ser uma referência à antiga condição, antes de Cristo, quando estávamos debaixo da condenação do pecado trazida por Adão (5.12-19). Mas agora, fomos justificados diante de Deus com a crucificação desta antiga condição e nosso corpo, antes instrumento de domínio do pecado, agora foi liberto de sua antiga escravidão (6.6). “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19-20).

A conclusão de Paulo é que nossa condição de morte e separação da antiga vida demonstra nossa justificação do pecado (6.7).

O BATISMO É A SINALIZAÇÃO DE UMA NOVA VIDA COM CRISTO

Nossa união com Cristo não implica apenas em morte, mas, também, em uma nova vida, alcançada por sua ressurreição (6.5). Esse acontecimento sobrenatural foi realizado pelo próprio Deus mediante sua glória, isto é, seu grande poder (v. 4; cf. Ef 1.19-20; Cl 2.12), algo impossível de ser realizado pelas forças humanas, foi efetuado por Deus como demonstração de que a obra de Jesus é capaz de nos perdoar e justificar diante dEle (Rm 4.24-25).

A ressurreição de Jesus faz dos salvos novas criaturas (2 Co 5.17) e lhes proporciona um novo estilo de vida, não mais voltado para os seus desejos egoístas, mas para uma vida que agrada a Deus (cf. Rm 6.10-11; cf. Ef 2.4-6, 10). A nossa salvação, portanto, não é apenas um passaporte que nos garante a entrada no céu. A nossa justificação diante de Deus pela fé traz junto consigo uma relação nova com Deus e um caráter transformado à imagem dEle (Cl 3.10). Conseqüentemente, há uma busca por crescer, a cada dia, no caráter e qualidades de Cristo, que são concedidos a nós, pelo Espírito de Deus (Gl 5.22-23).

23 de outubro de 2009

A Religião Babilônica com Enfoque em Isaías 40.25 – 26


O livro de Isaías é um verdadeiro baú de riquezas encontrado no deserto espiritual do povo de Israel. Ele foi escrito em um momento trágico da nação, quando toda nação a uma se desviava dos caminhos do Senhor.
Então, Deus envia a Isaías com uma profecia chocante. A nação seria arrasada, o povo cativo e levado a uma terra distante. Porém ao mesmo tempo, em contraste com essa profecia de juízo, Deus promete um tempo de restauração inigualável e jamais visto em toda a história de Israel.
Essa narrativa de restauração é feita por Isaías em tempo futuro, ele escreve mais de 70 anos antes, com se já estivesse no cativeiro. E é dentro desta conjuntura que está nosso texto, Isaías 40.25 – 26.
Como as guerras naquele tempo eram não somente guerras entre povos, mas sim também entre seus deuses, muito provavelmente Israel tinha entendido que seu Deus perdera para os deuses Babilônicos, sendo um Deus mais fraco, e por isso perderam sua fé Nele. Como, porém atender ao chamado de volta a terra? Que garantias eles teriam de que essa jornada de restauração seria possível?
Justamente, neste pequeno trecho Deus, dentro de um contexto onde Deus é comparado com todas as coisas, Deus chama o povo de Israel à reflexão, e conclama uma comparação entre Ele, o Senhor de Israel, e os deuses da Babilônia.

Com quem vocês me vão comparar? Quem se assemelha a mim? Pergunta o Santo. Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!”

A relação de comparação entre o texto apresentado e a religião babilônica, logo no início, já se dá na impossibilidade de comparação, pois os deuses babilônicos eram imagens de pedra inventadas pelo homem, bem provavelmente pelos Sumérios, e que passaram a ser adorados na Babilônia quando Hamurabi ascendeu ao trono mesopotâmico por volta de 2250 a.C.
Porém o Deus de Israel já de início transcende os deuses Babilônicos, pois não há com quê ou quem compará-lo, em primeiro lugar porque Ele não é material, não tem imagem, não pode ser carregado ou contido em mãos humanas como um ídolo babilônico.
Além do que, Ele não foi uma criação humana, e o início da adoração ao seu nome não remonta a uma data histórica, mas é de eternidade a eternidade. O principal deus da Babilônia, por exemplo, Marduque (chamado Merodaque pelos Hebreus) era filho de uma relação incestuosa entre os irmãos Enki e Ninhursag, o que perdurou, no relacionamento entra mãe e filho, pois ora, ela é sua mãe, ora sua amante.
Se já não bastasse o fato de Marduque ter sido gerado por outros deuses, o que é ridículo ante a Eternidade do Deus de Israel, ele ainda é filho de um insesto entre irmãos, e tem um caso promíscuos com a mãe, o que é um verdadeiro desparate ante ao Deus Santo descrito no texto de Isaías:

Na mitologia babilônica todos os deuses descendiam do dragão-fêmea (ou dracena) Tiamat, mas essa começou a enxergá-los como um estorvo e planejou matá-los. Seus planos foram frustrados pela deus Ea (também conhecido como 'Enki ou Nudimmud) que matou seu consorte Apsu. Posteriormente, Tiamat foi morta pelo deus Marduk”.[1]

Segundo as lendas Babilônias Marduque criou a terra quando luto com o monstro Tiamat, que segundo os escritos babilônicos personificava o caos primordial, as histórias da criação babilônicas, que estão em tablates de barro:

“... O terceiro apêndice alguns textos astrológicos não publicados até agora, do período de Arsacidae, que contém interpretações astrológicas e explicações da história da criação; eles indicam que Tiamat, no seu caráter astrológico, era considerado como uma estrela na vizinhança de elípticas, e além disso, o texto tem um adicional que indica que a ninhada [de deuses] do dragão Tiamat se refere a algumas das constelações do nosso zodiaco”.[2]

A comparação é cada vez mais difícil. Pois o principal deus babilônico, segundo eles, o criador, começa sua criação com violência e morte, enquanto este Deus apresentado em Isaías começa Sua crianção em harmonia e doação de vida. Um Deus amoroso que delicadamente estende um tecido chamado céu, gentil que conhece as estrelas selestias por seus nomes.
Além disso, segundo Waltke, o deus Babilônico Marduque precisou da sabedoria de seu pai, Ea, para operar a criação, porém, o Deus agiu sozinho com base em sua própria inteligência e sabedoria.
Segundo a lenda babilônica Marduque divide os restos de Tiamat em duas partes, com as quais forma o céu (onde coloca os astros) e a terra (onde estabelece a residência dos principais deuses). Porém os deuses ficam insatisfeitos e fazem uma rebelião pedindo a Marduque que crie o homem para adorá-lo. Essa rebelião desorganizada de deuses, também é contrastante com a ordem e o controle apresentado pelo Deus de Isaías, que tem as estrelas sob Seu organizado domínio e obediência, “nenhuma deixa de comparecer”.
Algo a destacar aqui, é justamente esse controle numérico organizado de um Deus único sobre sua criação contrastando com o desorganizado e confuso panteão Babilônico que se dividia entre deuses, deusas e semi-deuses, divindades de mundos inferiores e espíritos, alguns advindos das guerras de egos entre os mesmos e que tinham poderes limitados a certas áreas de atuação e coisas semelhantes[3].
Abaixo de Marduque os cinco deuses mais importantes eram:

1. Samas – O deus Sol e da justiça, que está representado no Código de Hamurabi
2. Ishtar – (O planeta Vênus) a deusa do amor (fertilidade) e da guerra
3. Sin – A deusa lua
4. Shams – A deusa-planeta (mão natureza)
5. Anú – O deus céu (Pai de Marduque, feito de um pedaço de Tiamat)

Como vemos, em geral, os deuse Babilônicos, expressam deuses astrais ou que têm controle sobre a natureza, haviam deuses específicos para quase tudo: o do Grão, o da Floresta, o da Vinha, o da Fonte, etc., os historiadores relatam inclusive deuses animais (animismo), porém o Senhor apresentado no texto de Isaías criou todos os astros e os têm sob seu governo, mas não só os astros, todas as forças da natureza estão sobre o domínio de um só deus, o que podem esses deuses fracos e limitados contra Ele?
Com esta descrição dos deuses Babilônicos em vista, fica claro o objetivo da descrição de Isaías do Deus de Israel, que era infinitamente superior e incomparável com qualquer “nada”, “oco” e “vazio” ídolo Babilônico.
Essa mensagem, prega em nossos dias, onde muitos “deuses” (dinheiro, sexo, poder, o “eu” individualista, etc...) são colocados à cima do Senhor, e as perguntas de Deus ressoam ainda em nossos dias, quem se compara a Ele?
Você pode inventar muitas desculpas, pode ter explicações na ponta da língua, mas elas são insuficientes, diante da grandeza da criação, nem mesmo o universo nós conhecemos, na verdade existem partes deste minúsculo planeta em que vivemos que nunca se quer vimos, lugares dos mares que Deus colheu na palma de Suas mãos nós nunca vimos, nem mesmo questões simples como porque não usamos 100% da nossa capacidade cerebral conseguimos explicar...
Diante de todas essas coisas, diante do silêncio a estas perguntas retóricas, o que restava a Israel naqueles tempos, é o que nos resta hoje, é simplesmente adorar e confiar no Senhor, nos atirando em Seus braços pela fé, e mesmo que não tendo resultados à vista, crendo que Eles virão, pois é Deus, o Senhor quem os prometeu.




Creuse P. S. Santos




[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Drag%C3%A3o, acessado em 16 outubro 2009.
[2] KING, Leonard William. The Seven Tablets of Creation: Semitic text and translation series. vol. xii-xiii. Londo, Luzac's and Co, 1902. p. XX e XXI.
[3] http://www.edeus.org/edeus/babilonica.htm. acessado em 14 de Outubro de 2009.