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16 de novembro de 2011

Lições espirituais extraídas da guerra contra o trafico de drogas no Brasil e na Colômbia

            No começo dos anos 60 a Colômbia era o país mais perigoso para se viver no continente americano, e tinha as duas cidades mais violentas do Mundo, Bogotá e Medellín. Tudo isso, porque grupos paramilitares de políticos esquerdistas (dentre eles a FARC-EP hoje com 10 mil guerrilheiros) se levantaram no país e começaram uma guerra civil que até hoje já fez cerca de 200 mil vítimas. Esses grupos, para ganhar dinheiro, se uniram a cartéis do tráfico de drogas e transformaram a Colômbia em um verdadeiro caos.
            Além da própria Colômbia, os EUA, maior potência do continente começou a ser afetado, pois, a droga produzida na Colômbia era quase que toda despejada em terras Norte Americanas.
            Sem ter o que fazer, o Estado Colombiano era alvo principal das milícias criminosas, com políticos, juízes, policiais, e líderes civis sendo seqüestrados diariamente em quantidade assombrosa. Estado esse que era corrupto e que tinha bandidos infiltrados, policiais subornados, sentenças compradas dentre outras coisas do tipo.
Até que finalmente, em 1998 produziu-se um documento chamado “Plano Colômbia”, onde a Colômbia com ajuda de várias nações do mundo, principalmente os EUA, começam um plano de combate feroz e sistemático contra as milícias de guerrilheiros e o tráfico de drogas, bilhões de dólares foram investidos, centenas de militares americanos, espiões e estrategistas foram enviados para ajudar.
O problema ainda não foi completamente resolvido, e a Colômbia ainda está longe de ser um paraíso, vez ou outra ainda se vê um suspiro de vida nos movimentos criminosos de guerrilhas, mas em geral a insistência do combate rígido, perseverante, ferrenho e contínuo do governo contra estes criminosos tem dado resultado, vários líderes desses grupos foram mortos, inúmeros seqüestrados foram soltos, e muita droga apreendida e destruída.
Os seqüestros diminuíram a índices módicos, com a presença massiva militar e policial. Nas grandes cidades como Bogotá e Medellín os índices de homicídios reduziram em 79% e 90% respectivamente, além disso, inúmeros projetos sociais, como educação, distribuição de livros, sistema de transporte, dentre outras coisas, transformaram essas cidades em exemplos a serem seguidos, apesar de ainda ter muito que caminhar.
Já aqui no Brasil, nosso governo não é muito adepto de planos, muito menos de esforço organizado e rígido contra a criminalidade. No máximo, vez ou outra, em épocas como Natal, dia das mães, dia das crianças ou algo do tipo, fazem pequenas operações locais e apreendem uma quantidade mínima (considerando a quantidade total) de qualquer coisa ilegal.
A polícia em geral recebe suborno para estar à serviço do traficante, e ao invés de “proteger e servir” ao cidadão de bem, ele protege o bandido para servir a seu próprio bolso. Isso, sem falar que as polícias vivem brigando entre si e os policiais têm salários vergonhosos.
Não podemos nos esquecer que as políticas públicas de combate à criminalidade são uma verdadeira piada, drogas, armas, e coisas do tipo são encontradas facilmente e compradas com facilidade por qualquer um à luz do dia. Em muitos casos, políticos são total e completamente comprometidos com a criminalidade, que ultimamente, até elege seus próprios representantes para defender seus interesses no governo.
Resultado, os índices de criminalidade sobem ano a ano, o número de homicídios praticamente dobrou em algumas cidades brasileiras, o ministério público libera prisioneiros com penas menores de 3 anos por não ter espaço nas prisões, em alguns lugares saem os traficantes e entram milícias de criminosos de farda, a política de segurança pública é praticamente inexistente em algumas cidades menores, as famílias dos presos são recompensadas com salários que podem chegar a R$ 900,00 (novecentos reais) sim, é verdade ganha-se mais cometendo um crime e indo para a cadeia do que sendo trabalhador o salário mínimo no país é de R$ 600,00 (seiscentos reais).
Não sou analista político e de segurança, mas gostaria de avaliar essas realidades para aplicar a nossa vida espiritual. Neste sentido começo dizendo que só é possível ter uma vida espiritual saudável, se tiver um plano de uma política rígida, agressiva, perseverante e contínua contra o pecado, como a fez Colômbia com o crime.
O pecado tem que ser combatido em todas as frentes, diariamente, eliminando suas principais fontes de ação, mesmo os menores resquícios devem ser eliminados, combatendo duramente os desejos do coração, mas também precisa ser acompanhado de uma política pessoal de educação na Palavra, de leitura Bíblica, oração, discipulado, prestação de contas dentre outras coisas.
Não podemos agir contra nosso pecado, como o Brasil faz com o crime, com ações esporádicas, como muitos, fazem que de vez em quando, fazem uma auto-avaliação pessoal, identificam um pecado mais grave e o combatem, mas esse pecado não é nada perto da quantidade de outros pequenos delitos cometidos diariamente. Não podemos negociar com o pecado, aceitar suborno dos prazeres oferecidos por ele. Não podemos deixar com que o pecado corrompa as instituições mais sérias de nossa ética e de cosmovisão. Não podemos ser displicentes com o pecado em nossa vida encontrando-o facilmente em cada esquina de nossas almas. Ele não pode estar acessível. Não podemos afrouxar com o pecado, ele não pode ter “liberdade condicional”, “indulto de natal”, não pode ter um salário maior do que o preço da cruz. Não podemos tratar nosso pecado como o Brasil trada o crime.
Além disso, tem uma última coisa, o Brasil se acha melhor do que a Colômbia, e estatisticamente, pode ser que até seja, pois é um país mais rico e com mais recursos, mas é melhor ser como a Colômbia que sabe que está muito longe de ser alguma coisa por isso luta com todas as forças para chegar lá, do que ser como o Brasil que se acha tão perto de ser alguma coisa que nunca consegue chegar lá.
Com o pecado também é assim, quanto mais longe pensarmos que estamos da santidade, melhor, pois aí lutaremos com todas as forças para vencer o pecado. Mas, se acharmos que estamos tão perto da santidade que esquecemos de lutar contra o pecado então nunca venceremos o pecado, pois se quer o combatemos.
Ainda tenho um ponto final, a Colômbia percebeu que não conseguiria vencer os narco-guerrilheiros sozinha, por isso aceitou se subordinar aos EUA, um país mais forte e bem preparado, aceitou a inferência dessa nação em seus assuntos locais, foi humilde em receber ajuda financeira e de pessoal para combater o banditismo local.
Já o Brasil, se acha auto-suficiente, e para piorar a situação, ao invés de se aliar aos que combatem os crimes, se aliam aos guerrilheiros bandidos da Colômbia, dando a eles proteção, dinheiro, treinamento, etc... Guerrilheiros esses que vêem para cá treinar os traficantes do morro para combater a polícia e vendem armas e drogas que destroem a nação.
Em nosso combate contra o pecado novamente sejamos como os Colombianos, que reconhecem que precisam de ajuda, nós também, precisamos de ajuda de alguém (um irmão, presbítero, etc...) que tenha autoridade sobre nossas vidas, a quem nos subordinamos e damos direto dessa pessoa interferir em todos os assuntos necessários para combater nosso pecado.
Ser igual ao Brasil é suicídio espiritual, é dar espaço ao pecado, que nunca será um aliado, pois reverterá nossa amizade com ele nos atacando e destruindo nossas vidas.



Creuse P. S. Santos

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